03/02/2010

Misoginia no Twitter



Não sei quem tem Twitter. Eu tenho e passo mais tempo por lá do que no Orkut. Esses dias, o assunto principal é o BBB, porque uma das concorrentes – eliminada ontem – era twitteira profissional. Não assisto, mas a gente acaba acompanhando notícias por tabela. Pois bem, a tal moça teria dito em um dado momento que fez sexo dentro da casa. No final de semana, o tal vídeo “vazou” (se, sei...), a partir daí, a antipatia pela moça atingiu níveis absurdos, ela já tinha forte rejeição antes.

Eu cheguei a deixar de seguir pessoas que ficavam re-postando as sandices ofensivas. A moça era chamada de “piranha”, “boqueteira”, “chpália”, “Tessaranha”, “puta” e toda uma série de adjetivos pejorativos. Exceções, que eu re-postei, foram “A Tessália está solteira e faz sexo e é taxada de puta. Michel tem namorada e a sacaneia e é "o cara"?? Fala sério. Inversão de valores!” e “Esse negócio da Tessália é quase um Uniban 2. Todo mundo chamando ela de puta, mas ela não estava ali sozinha, estava?”. De resto eram ofensas, que lembraram, sim, o caso UNIBAN. Já o rapaz foi poupado ou "felicitado" pelo presente recebido.

Aliás, parece ser tudo parte do mesmo fenômeno, mulheres jovens e sexualmente atraentes (*aliás, mulheres devem ser assim, não é?*) são linchadas moralmente, porque fazem exatamente o que se espera que elas façam, ou porque fazem sexo. É o backlash total. O resultado do linchamento da tal Tessália foi que o top 10 dos trending topics brasileiros foram xingamentos à moça e acho que um deles conseguiu ser o terceiro trending topic do Twitter inteiro. “Orgulho nacional”, alguns gritaram.

Na verdade se provou mais uma vez a capacidade dos brasileiros e brasileiras se mobilizarem por causas inúteis, a hipocrisia que campeia entre nós e, claro, o machismo que está impregnado até a alma. E não se trata de simpatia pela moça em si, mas da percepção de que este tipo de coisa é prejudicial a todas as mulheres. Nós feministas precisamos ficar de olho, porque esse tipo de violência de gênero é virtual e real, e se nos calarmos tende a crescer e se tornar generalizada. E não se omita, pois a próxima pode ser você.

6 comentários:

  1. Olá!
    Fiquei sabendo do seu blog por causa do seu guest post no da lola (aliás, excelente o texto!), e pelo que já li por aqui, gostei muito, então não se surpreenda se aparecer mais por aqui...

    Essas manifestações machistas me preocupam cada vez mais: seja pelo ódio medroso e incontido na internet ou por uma horda selvagem de estudantes berrando, a hipocrisia e as contradições são reforçadas: enquanto meninas e mulheres são bombardeadas por mensagens e pressões dos meios de comunicação e propagandas para serem sensuais e reduzir sua existência a seu corpo, mas, por outro, quando se comportam conforme as pressões exigem, são execradas pela mesma sociedade que ensina menininhas de 6 anos a usarem batom...

    Vejo esses retrocessos e tenho medo - afinal, tudo o que foi conquistado também pode ser tirado com ondas conservadoras... Enquanto temos Uniban e casos como esse de um lado, ainda temos lojas de brinquedos totalmente polarizadas, divididas no rosa choque para as meninas, e azul para os meninos, sendo que todos os jogos de tabuleiro e quebra-cabeça, que na minha cabeça são neutros, ficam na tão normativa seção azul... ah, e sem contar o fenômeno twilight e o príncipe encantado vampiro, com ares de bad boy e mentalidade de séculos passados...

    Me pergunto o que fazer diante desse retrocesso... Talvez seja agora que o movimento feminista seja mais necessário, para que esse começo de depressão não seja uma queda vertiginosa.

    Para você que também mora no DF, vale a pena acompanhar a pauta do STF esse começo de ano: em março devem julgar o caso dos fetos anencefálicos... Aí talvez possamos ter uma ideia do quão longe vai esse retrocesso.

    Enfim, acho que já escrevi de mais... Enfim, parabéns pelo blog!

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  2. Acredito que ainda vivemos com uma mentalidade moderna (aquela lá do séc XVI, XVII) e não houve muita evolução quanto a isso. A mulher sempre foi taxada de puta e de sem vergonha muito antes do que agora, só que naquela época ela não impunha seus valores e direitos. E como estão mostrando q tem tanto valor qtos os homens e... ainda... a sociedade não se deu conta disso. O movimento feminista (digo sexismo) é mto recente, nem 100 anos tem, e juntando com uma mente q se tem desde o renascimento, ou a mais tempo, não é agora que vão mudar. Mas ainda sou uma utopica e acredito que tudo isso mude um dia.

    Ana.

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  3. Na raiz do problema está acreditar que "sempre foi asism". Nâo foi. Não em toas as sociedades, não em todos os tempos, não o tempo inteiro para toro mundo. Outro ponto, os feminismos têm mais de 100 anos. Pelo menos uns 200 no Ocidente. Mas não entendi mesmo a associação entre Feminismo & Sexismo, pois os feminismos lutam contra isso exatamente.

    Obrigada por comentar no blog, Ana.

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  4. certo...mas uma coisa tem me preocupado bastante:a invisibilidade da banalização da exploração sexual da mulher e o incentivo á auto-objetificação.O caso da Uniban nada mais foi que isso,auto-objetificação defendida como dierito da mulher,e acho paradoxal feminismo ser contra os homens ns verem com bundas e defender mulheres que se reduzema bundas,Nunca vi tamanha manisfestação contra o tráfico de meninas e mulheres por exemplo.Meu contats com rganizações feministas do exterior em deixou horrorizada de como o feminismo brasileiro fecha os olhos para esta problemática,assim como para a prostituição e prnografia( também consideradas "direitos") e taca pedra em mulheres que ousam denunciá-la,chamando-as de "conservadoras" etc,quando na verdade, conservadorismo é querer que continuremos neste papel secular de objeto sexual e mercadoria para prostituição,seja visual ou física.Se continuarmos assim,daqui a pouco estão legalizando estupro.O RJ está um inferno e feminismo aqui está morto justamente por causa desta bundalização.

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  5. Quer dizer então que a Geisy então, por ter se "objetificado", deve ser apedrejada por uma turba por causa disso? Foi o que li? Porque se foi, não entendo o seu feminismo, isso, claro, se você se vê como tal. Nenhuma mulher pode ser tratada como a Geisy ou essa Twitess foi, ainda que elas não compreendam o motivo.

    Entendo suas preocupações, mas generalizações como o "feminismo está morto", ou que as feministas brasileiras - e me incluo aí - são a favor da pornografia expressão grande amargura (*talvez porque seus pontos de vista não sejam considerados importantes ou por ter perdido debates por aí*) ou ainda da falta de compreensão da multiplicidade dos feminismo e das suas bandeiras.

    Talvez se você desse uma olhada nos poucos posts deste meu blog veria pelo menos 1 falando d eprostituição infantil. Isso, claro, sem precisar procurar muito. Eu me considero uma feminista brasileira, mas não sou a palmatória dos feminismos aqui no país.

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