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24/06/2018

E as Mulheres começam a dirigir hoje na Arábia Saudita!



Hoje, 24 de junho, depois de décadas de campanha das mulheres sauditas, foi-lhes concedido o direito de dirigir no seu país.  Muitas delas, especialmente, as mais abastadas, sabiam dirigir, o faziam no exterior, ou em rincões escondidos do país, mas publicamente, era proibido.  Claro, que muitos vão anular a luta política das próprias mulheres e dizer que o príncipe herdeiro DEU a elas o direito, porque é um homem muito MODERNO e BONDOSO.  Falácia.  


O fato é que permitir que as mulheres dirijam era bandeira antiga das feministas e outras militantes do país, que continuam sendo perseguidas, motivo de crítica internacional, não tinha sustentação forte dentro da lei islâmica (*Sharia*) e ajudará a economia do país.  Talvez, tenha até impacto sobre o trabalho dos imigrantes, porque muitos dos que dirigiam táxis e vans que levavam mulheres eram estrangeiros.  Comentei sobre isso na resenha do filme O Sonho de Wadjda, primeiro filme comercial saudita, que trata de questões femininas como o poder guiar automóveis e dirigido por uma mulher.  O fato é que sem a possibilidade de dirigir, as mulheres, pobres, inclusive, porque elas existem no país, mas falar deles e dalas pode dar cadeia, dependiam de táxis, vans e outros, porque elas são PROIBIDAS de usar o transporte público no país.  Agora, acredito que mulheres motoristas possam, inclusive, guiar vans e ônibus que transporte mulheres com segurança e por preços mais acessíveis.


Ainda há muito que progredir na Arábia Saudita, ou recuperar, já que muitas das opressões foram impostas nos anos 1980 e, não, como muita gente pensa, eram coisa de tempos imemoriais.  Cinemas, por exemplo, eram proibição dos anos 1980... Descobrir essas coisas é chocante.  O fato é que decidi postar, porque vi fotos muito lindas de mulheres tão felizes no jornal português O Público, que tinha que trazer para cá, assim como alguns depoimentos.  As fotos não são das mesmas mulheres, não havia identificação nas fotos.  O fato é que estou feliz por elas, muito mesmo!


“Não acredito que estou a conduzir na Arábia Saudita.” Roa Altaweli.


“É a melhor sensação de sempre. Posso conduzir para o trabalho, posso levar as minhas crianças, posso viajar pelo meu país”, conta uma outra mulher, Samar Almogren, à BBC. 


“É o nosso direito e finalmente podemos usufruir dele. É só uma questão de tempo até que a sociedade o aceite, de uma forma geral”, disse à Reuters Samira al-Ghamdi, de 47 anos, enquanto conduzia para o trabalho.

24/11/2012

Duas Notícias Opostas, um Retrocesso e um Avanço



Sei que faz tempo que não posto coisa alguma. Às vezes, sinto vontade de comentar notícias, mas há coisas tão deprimentes que comentar seria mexer ainda mais na ferida, mas, bem, vou comentar duas notícias opostas publicadas esta semana, uma que aponta para algum avanço na condição das mulheres, outra, para o retrocesso. Vivemos disso, afinal, não é mesmo? Luta contínua, avanços e retrocessos.


A primeira notícia ponta para um backlash inesperado, pelo menos para mim. A Igreja Anglicana, depois de 12 anos de discussão, deliberou no dia 20, terça-feira, que não irá ordenar mulheres como bispos. Para que fosse aprovada, seria necessário 2/3 dos votos do Sínodo Geral que tem 470 votantes entre leigos, bispos e clérigos. Segundo o arcebispo de York, John Sentamu, foram os leigos que derrubaram a moção. Bispos e clérigos tinham aprovado. Segundo a Gazeta do Povo, “Mais de mil integrantes da Igreja Anglicana, incluindo bispos e clérigos seniores, enviaram uma carta ao jornal "The Independent" na segunda-feira (19) pedindo ao Sínodo para decidir em favor da ordenação”. Já o the Times tinha publicado na sexta da semana anterior uma carta assinada por 325 clérigos pedindo que o Sínodo não aprovasse. Segundo eles, isso geraria novas fraturas. O fato é que a cada avanço dos anglicanos (ordenação de mulheres, de homossexuais), o papa da vez, João Paulo II e, agora, Bento XVI, oferecem aos anglicanos a possibilidade de “retorno”, abrindo, inclusive, para os padres casados, já que a Igreja Anglicana estaria “se desviando”. Mas, obviamente, abrir exceção para padres casados, não é desvio, é estratégia utilizada desde a Idade Média... Para tentar evitar uma nova sangria, a Igreja Anglicana deu um passo atrás... Enfim, as mulheres já são ordenadas bispos por ramos da igreja anglicana na Austrália, Nova Zelândia, Canadá e EUA, pois há aqueles que se subordinam às decisões vindas da Grã-Bretanha, outros que tem seus próprios sínodos.


A notícia positiva é que a presidente Dilma Rousseff assinou ontem a promoção da primeira oficial general das Forças Armadas. A capitão de mar e guerra Dalva Maria Carvalho Mendes passará a contra-almirante - patente equivalente a general de brigada, no Exército, e brigadeiro, na Aeronáutica. É preciso ressaltar que a promoção à oficial general não é somente por folha de serviço, mas depende da estima que @ oficial tenha entre seus pares, isto é, nem todo sujeito que chega à coronel – ou seu equivalente – é promovido à general, deve haver consenso entre os outros oficiais generais de que a pessoa merece entrar para este seleto grupo, ou seja, trata-se de uma decisão puramente política, não no sentido partidário, mas quando pensamos que depende de escolhas pessoais. Que ninguém pense que foi decisão da Dilma, pois se não houvesse concordância entre os almirantes, não haveria promoção. Segundo o Globo, a promoção foi decidida em reunião com o ministro da Defesa, Celso Amorim, no Palácio do Planalto. A promovida, Dalva Maria é diretora da Policlínica Naval Nossa Senhora da Glória, no Rio. Ela entrou na Marinha em 1981, tem 56 anos, é viúva e tem dois filhos. A Marinha foi a primeira das três Forças a aceitar mulheres em seus quadros. A participação das mulheres se deu a partir de 1980. Atualmente, dos 2.882 oficiais da Marinha, 33,3% são mulheres; dos 2.933 praças, 6,8%. É ótimo, mas, ao mesmo tempo, curioso, pois a Marinha mantém suas escolas principais – Colégio Naval e Escola Naval – as que estão ligadas à formação dos oficiais da armada, permanecem fechadas para as mulheres. Se a história que está rolando de que o Exército será obrigado a abrir as Agulhas Negras no ano que vem proceder, a Marinha deve ter quer abrir pelo menos a Escola Naval. Lembrem que a AFA abriu em 1992 seu exame de admissçao para as mulheres e já formou umas duas turmas de pilotos com mulheres. A Marinha abriu seus quadros primeiro, é pioneira outra vez, mas continua sendo extremamente conservadora. Vitória, sim, mas com ressalvas.

13/07/2009

A mãe deixou a filha sozinha em casae ela caiu do 5º andar



Eu estou espumando por causa da matéria do Bom Dia Brasil sobre a queda de uma menina do 5º andar. Para a Globo, esta criança, que tinha pai e mãe, ambos na festa, morreu por culpa da mãe que “(...) deixou a filha sozinha em casa”. É a demonização das mulheres em ação, na hora do seu café da manhã. Todos os outros jornais, o Dia (*é só clicar*), e a Folha (*aí embaixo*), falam em pais, pois neste caso, ambos foram responsabilizados, mas a Globo só falou que havia um pai no final da matéria. Todo o foco foi na mãe irresponsável, negligente, colocada para falar diante da câmera em visível estado choque. Interessante é que a Record não fez assim, não expôs a mulher, e, claro, seguindo os jornais impressos, usou “pais” o tempo inteiro.

Eu questiono a prisão de ambos, como o faz um pediatra no fim da matéria. Eles podem ter sido irresponsáveis, mas já estão sendo penalizados pela perda da criança, que parecia ser caçula. E os vizinhos atestam o quanto ambos amavam a menina. Interessante, é que meus pais, por essas regras, teriam que ter sido presos. Eu fiquei várias vezes sozinha em casa, porque pedi, desde os 6 ou 7 anos. A idéia de ficar 4 horas em pé com minha mãe na fila de um banco ou em reuniões ou festas chatas, me desanimava. Era muito melhor ficar em casa assistindo desenho, desenhando, brincando. Nunca toquei fogo na casa, bebi produtos de limpeza, pulei da laje porque assisti o desenho do Peter Pan que dizia “Pense uma coisa bem boa e num instante você voa!”. Mas meu marido aqui, que nunca ficou só em casa porque minha sogra já tinha quase 50 quando ele nasceu e mal saia de casa, seria capaz de aprontar dessas.

Enfim, estou postando o caso aqui, porque questiono a forma como a matéria da Globo foi conduzida e a meu ver é mais um exemplo de como a mídia estigmatiza as mulheres e as torna únicas responsáveis pelos filhos e filhas, ainda que estes tenham pais.

Menina cai do 5º andar e morre no Rio; pais são presos

A polícia descarta homicídio, mas prendeu o casal sob acusação de abandono de incapaz

Rita de Cássia, 5, estava sozinha no apartamento quando caiu; os pais estavam em uma festa junina do condomínio

PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO


A menina Rita de Cássia Rodrigues de Sena, 5, morreu na noite de sábado após cair da janela do apartamento onde morava, no 5º andar, em Tomás Coelho, na zona norte do Rio. Os pais da garota foram presos em flagrante sob acusação de abandono de incapaz -crime que prevê pena de prisão de quatro a 12 anos. A polícia descartou a hipótese de homicídio. O pai da menina disse que a morte foi uma fatalidade.

Fátima Rodrigues de Sena e seu marido, Gilson Rodrigues de Sena, pais da menina, estavam em uma festa junina no playground do condomínio na hora da tragédia. Segundo a mãe, na festa a garota reclamou que estava com sono. Fátima relatou que subiu com a menina por volta das 22h30 e a colocou para dormir. Fátima contou à polícia que resolveu voltar para a festa por volta das 23h para chamar a filha mais velha, de 14 anos, que está grávida.

Quando voltou ao apartamento, às 23h25, não achou a menina e pediu ajuda. Os vizinhos encontraram Rita caída no estacionamento. "Foi uma fração de segundo, tudo muito rápido. Quando vi o apartamento vazio, entrei em desespero. Achei que tivessem sequestrado a minha filha. Foi horrível", disse Fátima.

Segundo a polícia, a menina passou por um buraco na rede de proteção da janela da área de serviço. O rombo que já existia foi provavelmente alargado pela menina, que tinha uma pequena tesoura, onde foram encontrados fragmentos da tela. Antes de cair, a menina arremessou pela janela alguns objetos, como um lençol, um cobertor, uma mochila com roupas e brinquedos e a própria tesoura.

O delegado-adjunto da 25ª DP (Rocha), Marco Aurélio de Castro, disse que todas as evidências apontam para um caso de abandono de incapaz, agravado e qualificado por ter resultado em morte e por ter sido praticado pelos pais da vítima. "Foi uma fatalidade, sem dúvida, mas eles são responsáveis. Jamais poderiam ter deixado a menina sozinha. Foi negligência", disse Castro.

O delegado disse que a hipótese de homicídio está totalmente descartada graças às imagens de três câmeras do circuito interno de TV do prédio, instalado há apenas três meses. Nas cenas, que captaram o momento da queda (às 23h24), não aparece ninguém entrando no apartamento no período em que a garota ficou sozinha.

Castro disse que Rita não tinha marcas de agressão e que parecia ser bem tratada. "Era uma menina forte, robusta, bem nutrida. O próprio peso pode ter feito a rede ceder." De acordo com Castro, Rita provavelmente queria chamar a atenção dos pais ou estava brincando quando caiu.

Para o pediatra Lauro Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência, não há dúvida de que se trata de um caso de negligência, embora tenha dúvidas se a prisão se justificaria num caso desses, em que não houve intenção de matar. "Criança tem de ser vigiada o tempo todo. Mas esse tipo de prisão é discutível", diz ele.
outro lado

Para o pai da criança, queda foi fatalidade
DA SUCURSAL DO RIO

Gilson Rodrigues de Sena, pai de Rita, disse que a morte foi uma fatalidade. "Ela me pediu para ir à festa. Deixei de ir ao chá de bebê da minha outra filha para dar prioridade à Ritinha. Eu a maquiei. Ela estava linda, alegre. Ela dançou. Foi como uma despedida", disse a mãe, Fátima. A advogada contratada disse à noite que já tinha pedido a liberdade provisória do casal.