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05/10/2018

O direito de enterrar os mortos é uma lei que antecede qualquer lei

Antígona de Marie Spartali Stillman.
Poucas coisas me parecem mais desesperadoras do que perder um ente querido e não ter seus restos mortais para, pelo menos, enterrá-los. Dar sepultura é algo importante para a maioria das culturas humanas desde a Pré-História, é algo ligado ao que chamamos de minimamente de humano.

Em uma das peças gregas que eu mais gosto, Antígona (*para download, aqui*), a protagonista sacrifica sua vida para dar sepultura ao irmão, condenado pelo tio, então rei, a apodrecer nos campos e ser devorado pelas feras. Em um dos embates da peça, ela argumenta com o tio-rei que há uma lei não escrita, anterior a qualquer lei humana que a obriga a fazê-lo. Ela termina encerrada com o cadáver do irmão no mesmo túmulo, mas morre acreditando que fez o que é certo, o que é justo, sem recuar.

Tentativa de identificar os desaparecidos
na vala comum do cemitério de Perus, SP.
Debochar das mães e pais que sofrem é ter desprezo por princípios mínimos de civilização. Tem dúvidas? Olhe para seu filho, ou filha, e se imagine procurando sem fim por ele, ou ela, sem encontrar, nunca tendo a certeza que somente o cadáver pode lhe dar. Tenha empatia e escolha bem seu candidato.


24/06/2018

E as Mulheres começam a dirigir hoje na Arábia Saudita!



Hoje, 24 de junho, depois de décadas de campanha das mulheres sauditas, foi-lhes concedido o direito de dirigir no seu país.  Muitas delas, especialmente, as mais abastadas, sabiam dirigir, o faziam no exterior, ou em rincões escondidos do país, mas publicamente, era proibido.  Claro, que muitos vão anular a luta política das próprias mulheres e dizer que o príncipe herdeiro DEU a elas o direito, porque é um homem muito MODERNO e BONDOSO.  Falácia.  


O fato é que permitir que as mulheres dirijam era bandeira antiga das feministas e outras militantes do país, que continuam sendo perseguidas, motivo de crítica internacional, não tinha sustentação forte dentro da lei islâmica (*Sharia*) e ajudará a economia do país.  Talvez, tenha até impacto sobre o trabalho dos imigrantes, porque muitos dos que dirigiam táxis e vans que levavam mulheres eram estrangeiros.  Comentei sobre isso na resenha do filme O Sonho de Wadjda, primeiro filme comercial saudita, que trata de questões femininas como o poder guiar automóveis e dirigido por uma mulher.  O fato é que sem a possibilidade de dirigir, as mulheres, pobres, inclusive, porque elas existem no país, mas falar deles e dalas pode dar cadeia, dependiam de táxis, vans e outros, porque elas são PROIBIDAS de usar o transporte público no país.  Agora, acredito que mulheres motoristas possam, inclusive, guiar vans e ônibus que transporte mulheres com segurança e por preços mais acessíveis.


Ainda há muito que progredir na Arábia Saudita, ou recuperar, já que muitas das opressões foram impostas nos anos 1980 e, não, como muita gente pensa, eram coisa de tempos imemoriais.  Cinemas, por exemplo, eram proibição dos anos 1980... Descobrir essas coisas é chocante.  O fato é que decidi postar, porque vi fotos muito lindas de mulheres tão felizes no jornal português O Público, que tinha que trazer para cá, assim como alguns depoimentos.  As fotos não são das mesmas mulheres, não havia identificação nas fotos.  O fato é que estou feliz por elas, muito mesmo!


“Não acredito que estou a conduzir na Arábia Saudita.” Roa Altaweli.


“É a melhor sensação de sempre. Posso conduzir para o trabalho, posso levar as minhas crianças, posso viajar pelo meu país”, conta uma outra mulher, Samar Almogren, à BBC. 


“É o nosso direito e finalmente podemos usufruir dele. É só uma questão de tempo até que a sociedade o aceite, de uma forma geral”, disse à Reuters Samira al-Ghamdi, de 47 anos, enquanto conduzia para o trabalho.

08/03/2012

Mais um 8 de Março... Comemorar? Acho que, não!



Hoje é o Dia Internacional das Mulheres, assim mesmo, no plural, porque mulheres não são todas iguais, assim como os homens. Considero o 8 de março um dia de lutas, um dia para lembrar que há muito a se fazer ainda pelo progresso das mulheres no mundo, por uma igualdade de direitos e oportunidades para ambos os sexos. Não é dia de ganhar rosa (*e eu ganhei a minha no portão do trabalho*), ou de receber parabéns. Aliás, o deboche transparece quando vejo colegas homens dizendo uns aos outros “hoje é seu dia”, e o cidadão desmunheca, ri, fala fino... Sim, desprezo pelo feminino e homofobia, mas, claro, que é tudo para fazer humor, não é? Quem precisa de dia é porque não tem dia nenhum. Dia das mulheres, Consciência Negra, do Índio, das Crianças, dos Professores (*que ganham tão mal na maioria dos Estados da Federação*), ... Sim, vamos lembrar dessa turma pelo menos uma vez por ano. E tome matérias cretinas na imprensa.

Ontem, a melhor de todas foi que as mulheres brasileiras são as mais felizes do mundo, afinal, os brasileiros são o povo mais feliz do mundo. Feliz com a corrupção, com o descaso dos políticos, com o confisco de direitos, com a erosão do Estado Laico, etc. Ontem, também, por exemplo, em Anápolis, coração no Bible Belt Católico brasileiro, pertinho da capital da República, a lei orgânica do município excluiu o direito de aborto legal previsto em constituição. Ah, diz um amigo meu “o Supremo e a OAB vão resolver”. Sim, seu sei, mas, enquanto isso, mulheres serão privadas dos seus direitos de cidadania, pois seus corpos são propriedade dos legisladores (homens). E qualquer um sabe que a interrupção de uma gravidez por estupro ou de risco não é algo que se espere. Percebem a perversidade e na véspera do “Dia da Mulher”, assim, no singular, porque essa intervenção nos iguala a todas, somos todas subcidadãs e valemos muito, muito pouco mesmo.

De boa notícia ontem, tivemos a de redução das desigualdades sociais no Brasil. Sim, tenho mil críticas aos governos do PT, mas é preciso reconhecer esse avanço. Como as mulheres estão entre os mais pobres, são as que recebem menores salários, especialmente, quando negras, isso é algo a se comemorar. Pena que a diminuição da desigualdade econômica nem sempre represente maior conscientização. Quer um exemplo, olhe a tirinha abaixo:


Eu adoro o trabalho da autora das tirinhas “Mulher de 30”, mas percebem o quanto ela parece entender pouco do que é a luta pela igualdade, ou, talvez, essa tirinha tenha sido muito infeliz. Primeiro, ela iguala atividades esporádicas – encher o tanque, trocar o óleo – com as cotidianas das quais dependem o bem estar de todos em uma casa. Quer dizer que porque um homem leva o carro ao posto de gasolina – e parece que só eles têm carro e fazem isso, não é? – digamos uma vez por semana (*para trocar o óleo, talvez uma vez a cada muitas semanas*), ele está isento de compartilhar as tarefas domésticas? Percebem a falácia? E quem acompanha as tirinhas sabe que ambas as personagens trabalham fora. Sem a crítica, essa tirinha é só mais um reforço da idéia que tanto agrada aos machistas de que mulheres querem somente os direitos, e, claro, não a partilha real das atividades, dos gastos, das responsabilidades. Mas quem fez a tirinha foi uma mulher! Deve ser verdade então!

Também ontem, uma das mais importantes jogadoras de vôlei do Brasil, uma guerreira em vários aspectos, teve suas fotos sensuais enfocadas em uma matéria. Até aí, nada, mas sempre parece o esforço de provar que atletas são “mulheres de verdade”, porque são sexies e tem um corpo para mostrar. Nada de muito novo se ela não tivesse dito “Mulher é bicho ruim. Eu queria ter nascido homem”. Triste, não é? Especialmente quando ela é um símbolo de força e superação. Para piorar, ela, a mãe e a irmã foram abandonadas pelo marido e pai. E tiveram que enfrentar muitos apertos por causa disso. E “mulher é que é bicho ruim”? Difícil de entender...

É isso. Só considerarei desnecessário que exista um “Dia das Mulheres” quando sites como o Machismo Mata não existirem mais. Quando documentários como o que ganhou o Oscar e que fala sobre mulheres que tiveram seus rostos destruídos por ácido por companheiros e homens que não quiseram ou puderam amar, sejam coisa do passado. Quando homens pararem de legislar sobre nossos corpos como se fossem nossos donos e os donos da verdade, da razão, do mundo. Por enquanto, 8 de março é necessário, ainda que tanta gente, mulheres inclusive, não entendam seu significado. OK. Não disse o motivo da criação da data, certo? Sem problema, o post de 2009 foi muito mais inspirado que este. Dê uma olhadinha lá, pois eu acredito que valha a pena.

15/10/2010

Vida de Hildegard Von Bingen no cinema


Hildegard Von Bingen (1098 –1179) foi uma das mentes mais brilhantes da Idade Média, e uma das poucas mulheres do período que costumam receber a devida homenagem por seus méritos. Compositora, criadora de um alfabeto, poeta, filósofa, naturalista, autora teatral, pregadora, abadessa, médica, teóloga, ela foi muitas coisas e é difícil enumerar. Agora, a vida dessa monja beneditina alemã chegou aos cinemas alemães pelas mãos da diretora Margarethe von Trotta com Barbara Sukowa no papel de Hildegard. O nome do filme é Vision – From the Life of Hildegard von Bingen. O filme acabou de sair nos EUA em DVD, espero que chegue por aqui. Só que se Agora até agora não apareceu no cinema e Papisa Joana não deu as caras em DVD, pode ser que nunca chegue. O que é uma pena. Já é possível montar um curso de Mulheres, Cinema e Idade Média sem nenhuma dificuldade... Basta os filmes saírem aqui.

17/04/2010

Abaixo Assinado - Abertura de Arquivos Ditadura


A OAB-RJ iniciou uma campanha pela abertura dos arquivos da Ditadura Militar. Infelizmente, acho que boa parte deles jpa deve ter sido destruída. São vídeos curtos, contundentes, usando atores e atrizes de sucesso que participam da campanha sem cobrar cachê. Encontrei seis vídeos ao todo. Coloquei três aqui e outros três no meu blog Historiativa.

03/04/2010

Mulher-bomba que atacou metrô russo tinha 17 anos



Esta é, supostamente, uma das mulheres bomba (*ou meninas, com 34 anos, quem tem 17 é menina para mim e se o cara morreu em 2009, era mais menina ainda*) do metrô de Moscou. Não sei quem pensou como eu, mas tire o niqab ou o chador que a mocinha usa e coloque-a de top e shortinho. A pose, a vulgaridade no rosto (o ângulo do olhar, o biquinho), é a mesma das nossas adolescentes dos morros cariocas ou que colocam fotinhos sexies nos orkuts da vida, orgulhosas com suas armas na mão a agarradas ao pescoço de um traficante, quase 20 anos mais velho. A mesma! Nada daquela pose rígida das mulheres palestinas ou iranianas em manifestações, parece mais a arrogância inconseqüente das adolescentes daqui, daquelas meninas e meninos que nada tem a perder e que não objetivam nada, também.

O homem não tem nada que o identifique como mulçumano, afinal, ele não precisa se cobrir ou despir para ser "apreciado", para ter seu valor (*ou falta de valor*) valorizada socialmente, ele poderia ser deslocado sem que precisasse mexer em nenhuma de suas características. Não sei qual a relação que essas figuras mantém com o Islã, mas eles e elas me parecem muito mais assustadores do que os homens e mulheres bomba aparentemente politizados de antes. A única coisa que não muda? Elas podem morrer pela causa, só morrer. Caso a causa seja vitoriosa, não terão nenhum direito a mais e, talvez, muitos a menos, assim como na Arábia Saudita, que serve para muitos deles de modelo. Tempos tenebrosos...

E não estou dizendo que os russos tratam de forma decente as populações da Chechênia ou outros núcleos muçulmanos do país, porque não tratam mesmo, mas esses movimentos não têm minha simpatia. Aliás, alvos militares podem ser considerados legítimos em uma guerra de guerrilha (*guerrilheiro ou terrorista está nos olhos de quem vê*), mas escolas, metrôs e teatros não são. E isso vale para qualquer lado. Segue a matéria da Folha de São Paulo.

Mulher-bomba que atacou metrô russo tinha 17 anos

Nascida no Daguestão, jovem era "viúva" de rebelde morto pelas tropas federais Rebelde da Tchetchênia reivindicou autoria do pior ataque terrorista ocorrido em Moscou em seis anos; mortos já chegaram a 40

Uma russa de apenas 17 anos foi identificada ontem pelo Comitê Nacional

Antiterrorismo como uma das duas mulheres-bomba que atacaram as estações de metrô de Moscou Lubianka e Parque Kulturi na segunda-feira, naquele que foi o pior ato terrorista ocorrido na capital do país em seis anos. Nas fotografias obtidas pela investigação, Dzhennet Abdurakhmanova, que também usava o nome Abdullayeva, aparece com cabelos e pescoço cobertos por um lenço preto tradicional, exibindo armas e granadas abraçada a Umalat Magomedov, 30, líder de um grupo rebelde islâmico do Daguestão, república do norte do Cáucaso onde a garota nasceu.

Segundo informações do jornal "Kommersant", o rapaz estava noivo da adolescente e foi morto em operação militar de 31 de dezembro último, o que fez dela uma "viúva negra", como são conhecidas mulheres ligadas a insurgentes mortos. O diário diz também que a segunda suicida era uma tchetchena de 20 anos, viúva de um insurgente morto em 2009 em ação para desmantelar um plano de matar o presidente tchetcheno.

O norte do Cáucaso russo é palco de insurgências violentas desde 1991. Em 1999, quando separatistas tchetchenos ganharam força com base em valores nacionalistas, houve uma forte ofensiva liderada por Vladimir Putin, o atual premiê. O Kremlin chegou a dizer que o separatismo havia sido derrotado apenas para, agora, vê-lo reorganizado sob a identidade islâmica. Os insurgentes reivindicam hoje um Estado submetido à sharia (lei islâmica). O Kremlin afirma que os grupos têm apoio, inclusive financeiro, da rede terrorista Al Qaeda.

Há dois dias, o líder rebelde tchetcheno Doku Umarov, que se diz "emir do Cáucaso" e lutou contra o Exército russo na Tchetchênia, confessou em vídeo publicado na internet a autoria dos atentados ao metrô de Moscou, que deixaram 40 mortos. No mesmo dia, outro ataque de dois homens-bomba matou dez no Daguestão.

Com agências internacionais

02/04/2010

Livro resgata fotos e documentos e revela a real participação feminina nas guerras



Na verdade, se somente na II Guerra, mas não deixa de ser muito importante. Gostaria que foss de uma historiadora, ainda assim, quando for até a Livraria Cultura, devo comprar este livro. A matéria veio da Revista Isto é.

Mulheres no front

Livro resgata fotos e documentos e revela a real participação feminina nas guerras
Natália Rangel

Um numeroso e pouco conhecido exército de guerrilheiras, oficiais, pilotos e atiradoras de elite, todas fortemente engajadas – e armadas – nas batalhas deflagradas pela Segunda Guerra Mundial, é agora retratado em textos e raras imagens no livro “Mulheres na Guerra” (Larousse), do historiador francês Claude Quétel. Ele escreveu sua obra a partir de estudos sobre o assunto que vêm sendo produzidos desde a década de 1970 (a publicação inclui uma rica bibliografia) e lança um novo olhar sobre a participação das mulheres no conflito.

Sua tese é de que a historiografia moderna relega a atuação feminina a um segundo plano e seu objetivo é mostrar que ela esteve presente em todas as dimensões da guerra. Quétel recupera a biografia de importantes personalidades desse período cujas trajetórias foram esquecidas ou nunca documentadas: “As mulheres veem a sua história dissolvida na história dos homens.” Numa das fotos incluídas nesse livro estão duas militares fazendo tricô diante de seus furgões blindados do Exército francês – emblemática da habilidade feminina de se desdobrar das agulhas às armas. O tricô das oficiais do século XX não tem nada do romantismo da mitológica Penélope, que tece enquanto espera o futuro marido chegar de suas homéricas batalhas. Elas tricotam no front e estão a postos no conflito de Garigliano, na Itália.


Entre os personagens destacados no livro está a belga Odette de Blignières, jovem de uma família aristocrática que trabalhou como manequim da Maison Chanel antes de entrar para um grupo internacional de resistência à ocupação alemã. Em 1942, ela contribuiu com transporte e munição para que soldados aliados fugissem pelos Pirineus e alcançassem Londres viajando pela Espanha. Também militou no movimento antifascista italiano ao lado de outras mulheres. Conhecida como a “ciclista que detonava explosivos”, a química francesa Jeanne Bohec foi escalada para trabalhar na confecção de armas de sabotagem. Além de fabricá-las, ela as utilizava para detonar ferrovias e cumpria sua missão in loco de bicicleta. Em 1944, ela estava no grupo que resistiu a um ataque alemão em Saint- Marcel. Jeanne sobreviveu e recebeu honrarias militares ao final da guerra. Outra francesa, Georgette Gérard, entrou para o grupo de Resistência de Lyon e atuou no movimento Combat. Em 1943, ela era a capitã de um grupo de cinco mil guerrilheiros divididos em 120 acampamentos localizados em florestas. Para “inspirar confiança”, se fazia passar por um oficial e se autodenominava “comandante Gérard”. Poucos subordinados sabiam que se tratava de uma mulher.

Em Berlim, uma extraordinária manifestação de caráter antinazista foi protagonizada por mulheres. E deu certo. O protesto de Rosenstrasse envolveu centenas de alemãs casadas com judeus, que reivindicavam a libertação de seus maridos. Após uma semana de intensos motins, Joseph Goebbels libertou cinco mil berlinenses de origem judaica. “O ódio político das mulheres é extremamente perigoso”, teria dito Adolf Hitler. Na União Soviética, onde o alistamento militar feminino já ocorria desde 1925, eram muitas as soldados e atiradoras que assumiam a linha de frente do Exército soviético. Uma delas foi Luba Makarova, atiradora de elite, que ilustra a capa do livro. Ela participou da conquista de Berlim, ao final da guerra, como capitã de um Exército formado por homens. Uma outra jovem soviética, integrante da Juventude Comunista, militou contra a invasão alemã a Moscou. Ativista de um grupo guerrilheiro, Zoia Kosmodemianskaia, 18 anos, organizava sabotagens às tropas alemãs e foi presa após colocar fogo em estábulos do inimigo.

Cruelmente torturada, ela foi enforcada e teve seu corpo exposto publicamente. Um repórter do jornal “Pravda” a fotografou e a imagem de Zoia e sua história a transformaram em “heroína da União Soviética”. Segundo Quétel, o fato serviu de motivação para o Exército Vermelho, que foi insuflado pelo slogan “patriótico”: “Matem o monstro nazista.” Além de narrar as histórias com leveza e sempre incluir um detalhe pessoal ou curioso no perfil de suas personagens, o autor também envereda por temas mais prosaicos. Conta, por exemplo, como a guerra determinou a moda do uso de turbantes e reproduz um relato da filósofa e escritora francesa Simone de Beauvoir, famosa adepta do adereço. Ela explica que as frequentes panes de eletricidade inviabilizaram o uso do penteado permanente (o mise-en-plis), e a crise de abastecimento fez desaparecerem os chapéus das lojas. Para não sair de “cabelos ao vento”, que era de mau gosto na época, adotaram-se turbantes. “Apeguei-me a eles definitivamente”, escreve Simone.

07/07/2009

Papisa Joana



Descobri que não via atualizações do Lights, Camera, History, porque elas tinham se mudado e eu não tinha percebido. Agora, passando no site novo, vi que estavam comentando o filme Pope Joan (Papisa Joana). À princípio, pensei que se tratava do filme de 1972 com Liv Ullmann como a mulher que supostamente teria sido o papa João VIII.

Eu assisti o filme de 1972, baixei e tenho aqui no computador, nunca vi em VHS ou DVD. Tem pontos interessantes, mas é quase consenso entre os historiadores e historiadoras que se trata de uma a sátira anti-papal, produzida, provavelmente, em um momento em que o poder papal sofria críticas (séc. XIII) e que colocava a Papisa Joana no século IX, período conturbado da História do Papado. Enfim, eu não considero nada impossível quando o assunto é História, mas muitas dessas lendas juntam crítica à Igreja ou ao papado, com uma misoginia profunda. Joana, na maioria das versões, é uma mulher culta e promíscua. A Wikipedia (português – inglês) dá outros exemplos nos quais a as características femininas “negativas” são acentuadas.

Antes que eu me perca, o novo filme é de 2009 e eu duvido que seja exibido nos cinemas daqui. Mas cairá na net e, com sorte, sairá em DVD. Daí, é pegar para assistir. Se for interessante, posso até passar para meus alunos e alunas de História da Igreja. Protestantes adoram essa historinha, exatamente pela desqualificação do papado através da mulher de vida imoral. Quer coisa mais horrível do que uma mulher usurpando o lugar "do homem". Deu no que deu, terminou ou morrendo de parto ou sendo estraçalhada pela multidão. Daí para a analogia com a Igreja Católica como "A Grande Prostituta" é um pulo. Talvez seja bom para a reflexão.